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Obras ilegais? Conheça as coimas e como reagir ao embargo camarário

Construção

FOI-ME INSTAURADO UM PROCESSO DE CONTRAORDENAÇÃO. O QUE PODE SUCEDER E O QUE DEVO FAZER?

Instaurado um processo de contraordenação, é conferido ao arguido o direito de defesa, para o que é notificado, por carta registada com aviso de receção. Perante esta notificação, dispõe o arguido do prazo de quinze dias úteis para apresentar a sua defesa, por escrito, sendo-lhe permitido apresentar meios de prova (nomeadamente testemunhas) e podendo constituir advogado. Juntamente com a defesa pode apresentar os elementos que considere relevantes, nomeadamente comprovativos da sua situação económica, o que é também atendido para efeitos de determinação da coima aplicável.

Depois de apresentada a defesa, são efetuadas as diligências de prova e recolhidos os elementos relevantes, sendo depois proferida a decisão final. A decisão pode ser de três tipos:
– Aplicação de coima;
– Admoestação;
– Arquivamento

Caso seja aplicada uma coima, o arguido pode:
– Efetuar o pagamento da coima e custas em que foi condenado. Esse pagamento pode ser efetuado no prazo de 10 dias contados da data em que a decisão se tornou definitiva ou, sempre que a situação económica o justifique, pode ser requerido o pagamento em prestações (até um máximo de 2 anos) ou, ainda, o seu pagamento dentro de prazo que não exceda 1 ano.
– Impugnar judicialmente a decisão. Para tal, dispõe do prazo de 20 dias úteis, contados da notificação da decisão. O recurso é apresentado por escrito, pelo próprio ou seu defensor, e dirigido ao Tribunal Judicial de Guimarães. Deve ser apresentado no prazo indicado na Câmara Municipal de Guimarães, onde, havendo motivos relevantes, a decisão pode ser revogada. Não havendo motivos para a revogação, o recurso é enviado ao Tribunal (Ministério Público).
– Caso não haja impugnação nem pagamento no prazo legal, os autos serão remetidos a Tribunal para execução.
Caso se pretenda invocar a situação económica na defesa ou como fundamento do pedido de pagamento em prestações, devem ser apresentados documentos que a comprovem, por exemplo: fotocópia da última declaração de rendimentos para efeitos de IRS ou IRC.

QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DO EMBARGO DAS OBRAS?

O embargo das obras obriga à suspensão imediata dos trabalhos de execução da obra. Suspensão no todo ou em parte consoante o embargo é total ou parcial.

Tratando-se de obras licenciadas ou objeto de comunicação prévia o embargo determina também a suspensão da eficácia da respetiva licença ou a admissão de comunicação prévia, bem como, no caso de obras de urbanização, da licença ou comunicação prévia de loteamento urbano a que as mesmas respeitam.

É interdito o fornecimento de energia elétrica, gás e água às obras embargadas, devendo para o efeito ser notificado o ato que ordenou às entidades responsáveis pelos referidos fornecimentos.

O embargo, ainda que parcial, suspende o prazo que estiver fixado para a execução das obras no respetivo alvará de licença e estabelecido para a admissão da comunicação prévia.

QUANDO CESSA A ORDEM DE EMBARGO?

A ordem de embargo caduca logo que for proferida uma decisão que defina a situação jurídica da obra com caráter definitivo ou no termo do prazo que tiver sido fixado para o efeito. Quer isto dizer que o embargo cessa quando a obra for legalizada ou quando for determinada uma outra medida de tutela de legalidade urbanística.

QUE CONSEQUÊNCIA TEM O DESRESPEITO DA ORDEM DE EMBARGO?

O desrespeito da ordem de embargo, assim como de qualquer medida de tutela de legalidade urbanística, constitui contraordenação punível com coima graduada de Euros 1500 até ao máximo de Euros 200.000 euros e configura crime de desobediência, tornando-se obrigatória a participação ao Ministério Público para prosseguimento do respetivo processo.

CONSTRUÇÃO DE UMA OBRA ILEGAL, A CÂMARA MUNICIPAL INSTAURA DOIS PROCESSOS. PORQUÊ?

Em matéria de urbanismo o levantamento do auto de contraordenação implica necessariamente a abertura de dois processos:

1º – Processo de Fiscalização que tem como finalidade a reposição da legalidade. A legalidade pode ser reposta através da legalização da obra ilegal, ou então através de medidas que passam pela reposição da situação anterior, como sejam obras de alteração ou de demolição. Este processo só será arquivado quando deixar de subsistir a ilegalidade. O decurso do tempo não extingue a obrigação de regularizar a situação. Por outro lado, a Câmara Municipal pode, a todo o tempo, impor uma medida de tutela da legalidade urbanística (ex. demolição).

2º – Processo de Contra Ordenação que tem como objetivo avaliar a prática da contraordenação em questão e sancionar o seu agente através da eventual aplicação de uma coima. As contraordenações estão sujeitas ao regime da prescrição, isto é, decorridos determinados prazos, fixados na lei (1, 3 ou 5 anos, conforme as coimas aplicáveis), passa a ser legalmente inadmissível procedimento legal contra o infrator.
Estes dois processos, embora tenham obviamente pontos de contacto, são objeto de decisões autónomas e independentes.

O QUE SÃO MEDIDAS DE TUTELA DA LEGALIDADE URBANÍSTICA?

São medidas que se destinam a repor a legalidade. São medidas de tutela da legalidade urbanística as ordens de embargo, de realização de trabalhos de correção, de alteração e ou de demolição de obras, as ordens de reposição de terreno, de cessação de utilização.

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